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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Addio Del Passato.

Addio, del passato bei sogni ridenti,

Le rose del volto già son pallenti;
L'amore d'Alfredo pur esso mi manca,
Conforto, sostegno dell'anima stanca
Ah, della traviata sorridi al desio;
A lei, deh, perdona; tu accoglila, o Dio,
Or tutto finì.

 

Le gioie, i dolori tra poco avran fine,
La tomba ai mortali di tutto è confine!
Non lagrima o fiore avrà la mia fossa,
Non croce col nome che copra quest'ossa!
Ah, della traviata sorridi al desio;
A lei, deh, perdona; tu accoglila, o Dio,
Or tutto finì.

Nel frattempo, nella camera de Violetta Valéry.

Recitativo:

È strano! è strano! in core
Scolpiti ho quegli accenti!
Sarìa per me sventura un serio amore?
Che risolvi, o turbata anima mia?
Null'uomo ancora t'accendeva O gioia
Ch'io non conobbi, essere amata amando!
E sdegnarla poss'io
Per l'aride follie del viver mio?

 

Aria:

Ah, fors'è lui che l'anima
Solinga ne' tumulti
Godea sovente pingere
De' suoi colori occulti!
Lui che modesto e vigile
All'egre soglie ascese,
E nuova febbre accese,
Destandomi all'amor.
A quell'amor ch'è palpito
Dell'universo intero,
Misterioso, altero,
Croce e delizia al cor.

 

(Resta concentrata un istante, poi dice)

 

Recitativo II:

Follie! follie delirio vano è questo!
Povera donna, sola
Abbandonata in questo
Popoloso deserto
Che appellano Parigi,
Che spero or più?
Che far degg'io!
Gioire,
Di voluttà nei vortici perire.


Finale:

Sempre libera degg'io
Folleggiar di gioia in gioia,
Vo' che scorra il viver mio
Pei sentieri del piacer,
Nasca il giorno, o il giorno muoia,
Sempre lieta ne' ritrovi
A diletti sempre nuovi
Dee volare il mio pensier.

Café Muller e Traviata

No "Regresso a Barcelona" criei uma encenação imaginária para "La Traviata" de Verdi. Sonhei que todo o primeiro acto se poderia passar num cenário algures entre o Kit Kat Club do "Cabaret" e o Café Muller da Pina Bausch (aqui ao lado em vídeo). Passo a transcrever:

No Liceu, o pano sobe aos primeiros acordes sobre um estrado no meio do palco, cercado de almofadas enormes, quase uma cama, quase um sofá de veludo vermelho. De cima incide um foco único. Em volta, um sem número de mesas e cadeiras, como se estivéssemos num cabaret. No tampo de cada mesa um candeeiro ilumina um ou dois membros do coro. Ao fundo à esquerda, um bar todo em tons de um azul nocturno e subtil. Do lado direito, uma porta rotativa para além da qual parece piscar um néon. Lembra-me o Café Muller, mas as mesas e cadeiras são exactamente iguais à do Café Mompou, onde passei a tarde. Ikea? Alfredo vira-se para mim, nesse instante de reconhecimento, e os nossos olhares cruzam-se em silêncio.
Quando volto a olhar, um novo quadrado de luz se abriu, em cima, numa janela. Clara num camarim, sentada a uma mesa de maquilhagem. Parece tossir para um lenço feito bola numa mão. Antes da abertura terminar, desapareceu. Todo o café se ilumina e agita, gente levanta-se e encaminha-se para o bar, outros entram fazendo girar a porta, ela própria uma dança de luz. A animação acompanha a música e todos cantam,
Dell'invito Trascorsa È Già L'ora. Clara surge enfim de novo, no pequeno palco, envergando um vestido comprido de lantejoulas vermelhas, luvas brancas acima do cotovelo, pestanas ainda mais longas do que as lembro, olhar sedutor.

Todo o primeiro acto decorre naquele cabaret, o Barão é o mestre de cerimónias e para além dos clientes, também os empregados circulando com bebidas cantam, declaram a sua paixão pelo álcool, brindam ao prazer, rodopiam em festa. Clara vai roçando uma camélia branca de rosto em rosto, enquanto passeia entre as mesas, provoca o desejo de todos, mas é Alfredo Germont quem com ela fica por fim, saindo feliz para o que imaginamos seja uma rua nocturna. Bebo mais um gole de whisky. Conto umas dezenas de pessoas em cena, mas só uma me agarra a atenção.