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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Transtorno

Piano e sintetizadores - André Tentugal
Voz e sonoplastia - Gisela João
Letra - Samuel Úria
Video - André Tentugal

Finjo gestos de quem esquece, pois se cura
Dos remendos da memória, faço adorno
Mas nos idos se adormece, outra mentira
Que dos falsos reza a história, do transtorno

Se hoje a minha voz se embarga em qualquer lado
Lembro que era tão profusa que brotava
No silêncio estou confusa, pois sou escrava
De cantar com voz amarga o nosso fado.

Era amor que lhe chamavas e eu bem cria
Mas o prazo no teu peito era pequeno
Sorvi todas as palavras, nem sabia
Que um amor já rarefeito é só veneno

Os versículos que cantavas não recordo
Mas dos beijos que me deste nem um esqueço
E é de trevas e de trovas que transbordo
Pois se lembro o que beijaste pago o preço

Abril, 2020